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Coronavírus: O que você, produtor de alimentos, deve saber sobre

      A rápida disseminação do vírus que causa a COVID-19 vem alarmando e preocupando toda a população. Ainda sem tratamento específico, o combate do coronavírus deve ser feito por meio de medidas preventivas. Diante disso, vamos tratar de questões que devem ser de conhecimento de todos os industrializadores e manipuladores de alimentos.


→Como o coronavírus (COVID-19) é transmitido? E quais os sintomas?

      O vírus pode ser transmitido pelo contato com uma pessoa infectada, através de fluídos corporais (como gotículas de saliva e catarro) espalhados por tosse ou espirro, ou pelo contato com as mãos, superfícies ou objetos contaminados. Os sintomas são similares aos de uma gripe; os mais comuns são febre, tosse e dificuldade para respirar. 

→A COVID-19 pode ser transmitida por meio dos alimentos?

      Não está claro se ele pode ser transmitido por uma pessoa infectada por meio dos alimentos que eles manipularam ou prepararam, mas, nesse caso, seria mais provável que fosse uma exceção à regra. A experiência com outros coronavírus (SARS e MERS) sugere que as pessoas não são infectadas com o vírus por meio dos alimentos. Dessa forma, não se pode afirmar que a COVID-19 seja transmitida através da comida, sendo que até o momento não há evidências ou relatos disso acontecendo com esse vírus. Os coronavírus necessitam de um hospedeiro (animal ou humano) para crescerem, assim não podem se desenvolver em alimentos. Espera-se que o cozimento completo mate o vírus, visto que um tratamento térmico de pelo menos 30 minutos a 60°C é eficaz com SARS. Assim, no caso de comida quente, o vírus provavelmente seria morto por cozimento. Pode não ser o caso de alimentos não cozidos, como saladas ou sanduíches.

→Quanto tempo a COVID-19 permanece em superfícies?

      Ainda não é certo quanto tempo o coronavírus (COVID-19) sobrevive em superfícies, mas alguns estudos sugerem que os coronavírus persistam de algumas horas até nove dias (variando com tipo de superfície, temperatura ou umidade do ambiente, por exemplo). Para higienizar uma superfície, primeiro limpe-a com detergente e água e depois desinfete-a (álcool 70% e solução de hipoclorito de sódio à 0,1% são opções que se mostraram eficientes contra o coronavírus). Após o procedimento de higienização evite tocar nos olhos, boca e nariz e busque lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos; uso do álcool gel 70% é mais eficaz após uma higiene satisfatória, assim deve ser preferencialmente usado após a lavagem das mãos.

→É uma boa ideia começar a utilizar descartáveis para reduzir a contaminação?

      Atualmente, não há evidências que sugiram que haja qualquer benefício em utilizar descartáveis. É importante que as medidas que tomamos para minimizar a transmissão sejam eficazes. As medidas mais eficazes que você pode tomar estão na prática de uma boa higiene das mãos e limpeza, com foco especial em superfícies que são frequentemente tocadas. 

→O que os manipuladores de alimentos podem fazer?

      Existe a possibilidade de que manipuladores de alimento infectados com o coronavírus possam introduzir o vírus nos alimentos em que estão preparando ou em superfícies do local de produção. Para evitar tal situação devem ser priorizadas as boas práticas de manipulação e boa higiene no manuseio de alimentos. O manipulador de alimentos deve: 

  • Higienizar frequentemente e de maneira adequada as mãos;
  • Evitar tossir ou espirrar próximo de alimentos, cobrindo o nariz e boca com um lenço ou com o braço quando ocorrer, e não com as mãos;
  • Não compartilhar utensílios ou objetos de uso pessoal com outras pessoas e manipuladores;
  • Evitar contato  próximo com qualquer pessoa com sintomas de doença respiratória (como tosse e espirro) ou com suspeita de coronavírus;
  • Permanecer em casa caso esteja doente ou com suspeita da doença.

Os manipuladores de alimentos devem lavar as mãos:

  • Antes de começar o trabalho
  • Ao trocar de atividade
  • Antes de manusear alimentos cozidos ou prontos para o consumo
  • Depois de manusear ou preparar alimentos crus
  • Depois de manusear resíduos
  • Após tarefas de limpeza
  • Depois de usar o banheiro
  • Depois de assoar o nariz, espirrar ou tossir
  • Depois de comer, beber ou fumar
  • Depois de lidar com dinheiro
  • Frequentemente, mesmo realizando a mesma atividade

      Vale ressaltar que uma boa higiene e limpeza também são importantes para evitar a contaminação cruzada entre alimentos crus ou mal cozidos e alimentos cozidos ou prontos para consumo. Deve-se estar ciente de como os pratos usados ​​são coletados de uma mesa, evitando tocar em áreas que estiveram em contato direto com o cliente ou com os alimentos para minimizar o risco de contaminação cruzada. 

      Com a chegada de alimentos que serão utilizados nas preparações recomenda-se a higienização desses com álcool 70% em caso de embalagens e com solução de hipoclorito de sódio 0,1% para frutas e verduras. Pode ser feita também a utilização de luvas descartáveis; quando utilizadas, as luvas devem ser trocadas a cada mudança de procedimento. Ainda, é recomendado limpar mais frequentemente superfícies compartilhadas, como maçanetas (de portas de acesso e banheiros, geladeiras e freezers), mesas, cadeiras (em áreas de apoio de braços ou utilizadas para puxar a cadeira), saleiros, áreas do buffet, entre outras. 

→O que os proprietários/gerentes de empresas de alimentos podem fazer?

      Os responsáveis por estabelecimentos de produção de alimentos têm a responsabilidade de manter as práticas de higiene adequadas o tempo todo. Dessa forma eles devem:

  • Garantir que os funcionários estejam cientes da situação da COVID-19;
  • Garantir que os funcionários sejam treinados adequadamente em higiene alimentar;
  • Garantir uma supervisão eficaz para reforçar as práticas de higiene;
  • Fornecer as instalações corretas e disponibilidade de materiais, por exemplo, sabonete antisséptico para higienização das mãos, em banheiros, para permitir que os funcionários pratiquem uma boa higiene;
  • Garantir que a equipe e os contratados relatem quaisquer sinais / sintomas físicos, antes de iniciar o trabalho ou enquanto estiverem no local de trabalho;
  • Manter-se vigilantes e garantir que os funcionários não estejam doentes e estão aptos para trabalhar.

→Seguem mais algumas medidas preventivas que podem ser adotadas:

  • Estar disponibilizando álcool 70% em locais de fácil acesso, tanto para funcionários quanto para clientes.
  • Limitar o acesso de clientes no local, de modo a evitar filas e aglomerações; em restaurantes, quando possível, aumentar a distância entre diferentes mesas, buscando dar uma distância mínima de um metro entre cadeiras de diferentes mesas.
  • Disponibilizar material informativo com as recomendações do Ministério da Saúde no estabelecimento.

      No momento ainda existem muitas incertezas acerca do coronavírus, e a situação pode mudar a qualquer momento. Para a sua segurança e daqueles ao seu redor adote medidas preventivas e busque manter-se informado das indicações e medidas adotadas pelas autoridades competentes.


REFERÊNCIAS:

1. CÂMARA TÉCNICA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA – CRN 4. ALIMENTAÇÃO COLETIVA E O CORONAVIRUS (COVID-19). [S. l.], 17 mar. 2020. Disponível em: https://www.crn8.org.br/noticia/alimentacao-coletiva-e-o-coronavirus-covid-19/907. Acesso em: 18 mar. 2020.

2. EFSA. CORONAVIRUS: no evidence that food is a source or transmission route. [S. l.], 9 mar. 2020. Disponível em: https://www.efsa.europa.eu/en/news/coronavirus-no-evidence-food-source-or-transmission-route. Acesso em: 18 mar. 2020.

3. FOOD SAFETY AUTHORITY OF IRELAND. COVID-19 (Coronavirus). [S. l.], 18 mar. 2020. Disponível em: https://www.fsai.ie/faq/coronavirus.html. Acesso em: 18 mar. 2020.

4. HARVARD HEALTH PUBLISHING. Coronavirus Resource Center: As coronavirus spreads, many questions and some answers. [S. l.], 18 mar. 2020. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/diseases-and-conditions/coronavirus-resource-center. Acesso em: 18 mar. 2020.

5. HF, Rabenau et al. Stability and inactivation of SARS coronavirus. Medical Microbiology and Immunology, [s. l.], 2005. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15118911. Acesso em: 19 mar. 2020.

6. KAMPF, Guenter et al. Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. Journal of Hospital Infection, [s. l.], março 2020. Disponível em: https://www.journalofhospitalinfection.com/article/S0195-6701(20)30046-3/fulltext. Acesso em: 19 mar. 2020.

7. VICTORIA STATE GOVERNMENT. Advice for food businesses on Coronavirus disease (COVID-19). [S. l.], 2020. Disponível em: https://www2.health.vic.gov.au/public-health/food-safety/food-businesses/covid-19-and-food-business. Acesso em: 18 mar. 2020.

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