You are currently viewing Agrotóxicos

Agrotóxicos

Quantos alimentos que consumimos possuem agrotóxicos? Existe uma lei específica para esse assunto? E quais os efeitos que esse tipo de produto causa na nossa saúde? Há muitas dúvidas quando a questão é agrotóxico, por isso a nossa atual Gestão de Projetos, composto pela diretora Natália Schmitt e pelas assessoras Deborah Dettimann e Maria Clara Moreira, responde no texto de hoje.


Agrotóxicos

O brasil é considerado o maior consumidor de agrotóxicos no mundo desde 2008. Segundo dossiê publicado pela ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva e realizado em conjunto com o Ministério da Saúde: 64% dos alimentos no Brasil são contaminados por agrotóxicos. Segundo a ANVISA, 28% apresentam componentes não autorizados ou em quantidade que excede o limite autorizado.

Mas e a lei?

O Brasil possui uma lei que regulamenta a utilização de agrotóxicos, chamada Lei de Agrotóxicos nº 7.802/1989. Essa lei é considerada bastante permissiva se comparada a leis de outros países, como a da União Europeia, por exemplo. Isso significa que, por aqui, a utilização desses produtos é muito maior e mais livre que nos países europeus.

Como identificar?

Agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, remédios de planta, veneno são algumas das inúmeras denominações utilizadas no controle de pragas. Tão extensa quanto a lista de efeitos nocivos dos agrotóxicos à saúde humana é a discussão sobre a nomenclatura correta dessa gama de produtos, ao que muitas vezes pode mascarar o sentido real dos seus riscos.

Riscos

Os agrotóxicos são constituídos por uma grande variedade de substâncias químicas desenvolvidas para matar, exterminar, combater, dificultar a vida. Assim, por atuarem sobre processos vitais, em sua maioria, esses venenos têm ação também sobre a constituição física e a saúde do ser humano (EPA, 1985).

Para a vigilância sanitária é indispensável o estudo sobre os riscos que os agrotóxicos podem trazer para o consumidor e o trabalhador rural”, defende o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.

Os efeitos nocivos do uso de agrotóxicos tem trazido uma série de conseqüências, tanto para o ambiente, como para a saúde humana. A presença dessas substâncias em amostras de sangue humano, no leite materno e resíduos presentes em alimentos consumidos pela população em geral, apontando a possibilidade de ocorrência de anomalias congênitas, de câncer, de doenças mentais, doença celíaca, além de disfunções na reprodutividade humana relacionadas ao uso de agrotóxicos, como infertilidade, impotência e abortos.

Se para o consumidor o maior risco se dá a longo prazo, para o trabalhador rural o problema é imediato. A falta de orientação adequada também acaba por deixar os pequenos agricultores numa situação de maior exposição ao risco. Além de trazer problemas para a saúde do trabalhador rural, a falta de instrução correta pode gerar reflexos na mesa do consumidor. Segundo o assessor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário Jean Pierre, as propriedades familiares representam 84% dos estabelecimentos rurais no País e produzem boa parte das verduras e legumes no Brasil.

Efeitos dos agrotóxicos na saúde

Os pesticidas são substâncias tóxicas que combatem as pragas que podem afetar as plantações mas seu uso pode causar:

  • Intoxicação aguda (quando há uma exposição excessiva): pode acontecer por exemplo nos agricultores que não se protegem o suficiente na hora de sua aplicação
  • Intoxicação tardia (devido ao seu consumo regular ao longo dos anos): pode acontecer ao ingerir alimentos cheios de agrotóxicos como aqueles que encontramos nos supermercados.

E os rótulos?

Por outro lado, observa-se que as informações sobre saúde e segurança destes produtos são de difícil apropriação por parte daqueles que os utilizam, uma vez que fazem uso de linguagem técnica pouco acessível.

Os vilões

Por meio do Programa de Análise de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), a ANVISA identificou que produtos que apresentavam os maiores níveis de contaminação em 2009, são:

  • pimentão;
  • morango;
  • cenoura;
  • alface;
  • tomate;
  • mamão;
  • abacaxi;
  • beterraba;
  • couve
  • laranja.

O que fazer?

Quais seriam as alternativas de nós, consumidores, diante de um cenário de alto uso e ingestão de agrotóxicos?

O Ministério da Saúde recomenda que os alimentos in natura ou minimamente processados, em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, devem ser a base de uma alimentação nutricionalmente equilibrada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.

  • Opte por alimentos in natura e orgânicos.
  • Para os alimentos convencionais, diluir uma colher de sopa de cloro para cada litro de água e deixar as frutas e as verduras nesta solução durante 15 minutos
  • Pequenos furos ou pequenas picadas na folha da couve, por exemplo, são indícios de menos agrotóxico neste alimento;

  • Dê preferência aos produtos nacionais em vez dos importados. Frutas e legumes produzidos na região não requerem tantos pesticidas quanto os que percorrem longas distâncias e são armazenados por longos períodos;

  • Legumes muito grandes, produzidos convencionalmente, podem ser resultado de adubação e estimulantes artificiais;

  • Retire toda a gordura e a pele das carnes e escolha laticínios com baixo teor de gordura, pois resíduos de produtos químicos tendem a se concentrar nos tecidos gordurosos dos animais.

  • Sempre que possível, descascar as frutas. Uma vez que é na casca que se concentram a maioria dos resíduos de agrotóxicos. As folhas externas das verduras também devem ser retiradas.

  • Criar sua própria plantação em casa, no terreno ou em vasos de plantas, por exemplo, optando por utilizar apenas produtos naturais para evitar possíveis pragas.

Referências

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342008000300024

http://books.scielo.org/id/sg3mt/pdf/peres-9788575413173-03.pdf

https://www.sonutricao.com.br/conteudo/artigos/agrotoxico/

http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n2/28547.pdf


Natália Schmitt

Diretora de Gestão de Projetos da Nutri Jr.

Graduanda de Nutrição da UFSC

 

Deborah Dettimann

Assessora de Gestão de Projetos da Nutri Jr.

Graduanda de Nutrição da UFSC

 

Maria Clara Moreira

Assessora de Gestão de Projetos da Nutri Jr.

Graduanda de Nutrição da UFSC

Deixe uma resposta