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O elogio à perda de peso

O conteúdo do site dessa semana está especial! Quantas pessoas não sofrem pela sua imagem corporal? A nutricionista Letícia Klempous preparou uma ótima reflexão para nós, muito preciosa nos dias de hoje! Aproveite e compartilhe com seus amigos!


Perda de peso não precisa ser o foco das nossas relações

O elogio à perda de peso e porque devemos conversar sobre isso. Por que existem muitas formas de expressar amor e carinho, mas elogiar perda de peso não é a única – e muitas vezes, é um baita desserviço.

Quantas vezes tu estivestes num péssimo momento de tua vida, que coincidiu com perda passageira de peso, e alguém te viu e te elogiou? Ora, seria este o único motivo pelo qual devemos elogiar uma pessoa? Sua aparência? Veja: o elogio ligado ao emagrecimento tem grande potencial para ser um tiro no pé. Junto do elogio, a mensagem que passa, muitas vezes, é a de que, quando aquela pessoa tinha alguns quilos a mais, não estava tudo bem. Mas será que ela não estava feliz? Quem somos nós para afirmar com precisão o que outra pessoa sente se nós sequer sabemos o que nós mesmos sentimos nesta sociedade que dita o que devemos ou não devemos fazer e, que nos faz nos perder de quem somos de verdade?

Por que associamos perda de peso exclusivamente como algo positivo? Quantas pessoas perdem peso por conta de um transtorno alimentar, uma infecção grave, um puerpério dolorido, uma depressão, um transtorno de ansiedade? Um processo de cura e de equilíbrio muitas vezes vem acompanhado de emagrecimento, mas isso é uma consequência, não um objetivo único. Ou, ao menos, não deveria.

Por que perder peso é sinônimo de vencer e ganhar peso é sinônimo de perder? Gordos não são fracassados, gordos são pessoas – e a própria condição de ganhar peso não depende exclusivamente de ingesta alimentar. Depende de qualidade de sono, de balanço hormonal, de microbioma intestinal, de exposição excessiva às toxinas do dia a dia, de deficiências nutricionais…

Ser gordo, na nossa cultura, é mais um julgamento moral do que estritamente um problema de saúde pública – que, claro, também é. Mas, no fundo, o que mais tem é gente com ódio de gente obesa. E gente obesa com ódio de si mesma (que lindo que aos poucos isso tem mudado), vítimas de uma cultura gordofóbica e que os invisibiliza enquanto suas reais necessidades – como meio de transporte adaptado. A saúde vê o gordo como um problema a ser resolvido, mas esquece de perguntar antes se ele quer ajuda. E se ele quer, como de fato eu posso ajudar?

Sabemos que a perda de peso feita de qualquer forma, má conduzida, má orientada, não só não causa mudanças significativas na saúde como não representa saúde. Um corpo magro não é sinônimo de um corpo saudável – nem fisicamente e nem emocionalmente. Quantos corpos magros e metabolismo doente tu conheces? Eu conheço muitos.

A troco de quê tu te esforças para emagrecer desde os primeiros anos de tua vida? Do que abdicas para emagrecer? É um processo de ganho? É um processo de autoconhecimento, de conhecer o teu próprio corpo, de te escutar no meio desse caos? É um processo de aprendizado? Ou é apenas uma vontade que tá ali contigo e nem sabes bem por que ela está ali? É aquele inconsciente coletivo que grita que estais errado, um padrão estipulado por alguém, uma auto-estima que não melhora e uma alma que não sara nem mesmo com aqueles 8kg que querias perder?

Perder peso não te fará vitorioso se isso vier sem o aprendizado que essa perda de peso pode te causar – porque sim, ela pode vir vazia. E te deixar ainda mais vazio. Vazio de amor-próprio, vazio de felicidade, vazio de amizade, vazio de ti mesmo.

Tu não és o teu peso. Teu peso diz muito pouco de ti.

Nunca permitas que te digam isso.

Tu és muito mais do que o ponteiro da balança aponta, do que a última numeração disponível na loja te diz.

Nessa busca incessante por emagrecer, onde estais?

Tu mereces ser feliz!


Letícia Klempous

site: leticiaklempous.com.br

Facebook: facebook.com/nutricionistaleticia

 

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