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O que são Pré, Pró e Simbióticos?

 

É certo que cada vez mais, nos dias de hoje, busca-se um estilo de vida saudável. No entanto, muito além de exercícios físicos e controle de macro e micronutrientes, uma maneira de manter-se bem com o próprio corpo é conhecendo componentes presentes na microbiota do intestino, e também nos alimentos, chamados Prebióticos, Probióticos e Simbióticos. No texto dessa semana, produzido pelo Prof. Dr. Erasmo Benicio Santos de Moraes Trindade (Professor Associado do Curso de Graduação em Nutrição e do Programa de Pós-Graduação em Nutrição – PPGN do Departamento de Nutrição) trataremos um pouco mais a respeito desse assunto, trazendo, também, uma sugestão de receita que contém algumas dessas propriedades, após o fim do artigo.


A MICROBIOTA INTESTINAL E SEUS MODULADORES: PREBIÓTICO, PROBIÓTICOS E SIMBIÓTICOS

A microbiota intestinal refere-se aos micro-organismos que residem no intestino dos animais, sendo composta por espécies nativas de bactérias que colonizam permanentemente o intestino além de um número variável de micro-organismos que podem temporariamente instalar-se neste órgão. Esta microbiota compreende trilhões de micro-organismos pertencentes principalmente aos gêneros Bacteroides, Bifidobacterium, Eubacterium, Clostridium, Lactobacillus, Escherichia e Enterobacter (BRANDT; SAMPAIO; MUIKI, 2006; GUARNER; MALAGELADA, 2003).

A microbiota saudável é definida como aquela que conserva e promove o bem-estar e a ausência de doenças, especialmente do trato gastrointestinal. Em condições normais, exerce influência considerável sobre uma série de reações bioquímicas do hospedeiro tais como: transformação de fibra dietética em açúcares simples, transformação de ácidos graxos de cadeia curta e de outros nutrientes para serem absorvidos; produção de vitamina K, vitamina B 12 e ácido fólico; participação no metabolismo e recirculação de ácidos biliares; transformação de potenciais agentes carcinogênicos e ativação de compostos bioativos (DIBAISE et al., 2008).

A microbiota intestinal é benéfica para o indivíduo quando há simbiose com o hospedeiro, equilíbrio entre as necessidades e efeitos recíprocos. Quando em equilíbrio, esta microbiota impede que os micro-organismos potencialmente patogênicos nela presentes exerçam seus efeitos e se proliferem. Por outro lado, seu desequilíbrio pode resultar na proliferação de patógenos, com consequente infecção bacteriana (ZIEMER; GIBSON, 1998). Potenciais moduladores da microbiota intestinal são prebióticos, probióticos e simbióticos, suplementos considerados seguros por estarem naturalmente contidos em alimentos e na microbiota humana. Sua utilização vem sendo estudada como uma nova proposta terapêutica para a regularização da microbiota intestinal em diversas situações de doenças, inclusive na obesidade grave, uma vez que a microbiota é considerada um órgão metabólico com influência nas reações bioquímicas do hospedeiro (CANI; DALZENNE, 2011).

Os prebióticos são compostos alimentares não digeríveis, que através do metabolismo de bactérias no intestino, promovem mudanças específicas na composição e/ou atividade da microbiota gastrointestinal, conferindo benefícios à saúde do hospedeiro (BINDELS et al, 2015). Possuem funções fisiológicas como regulação do trânsito intestinal, redução de metabólitos tóxicos e a melhora da biodisponibilidade de alguns nutrientes. Exercem importante função reguladora do sistema enteroendócrino através do estímulo/inibição de expressão e secreção de hormônios peptídicos orexígenos e anorexígenos, principalmente daqueles secretados por células L ao longo do intestino, como GLP-1 e PYY, assim como da grelina secretada no estômago (DELZENNE et al., 2005; ).A definição de propriedades prebióticos em um alimento ou suplemento depende de características específicas: não ser hidrolisado nem ser absorvido na parte superior do trato gastrointestinal, atingindo o intestino grosso sem perdas físicas importantes; atuar como substrato para bactérias no cólon, aumentando sua proliferação e/ou atividade metabólica; restaurar ou manter o equilíbrio da microbiota intestinal; induzir efeitos luminais ou sistêmicos que são benéficos para a saúde do hospedeiro (GIBSON; ROBERFROID, 1995). Essas especificações acabam definindo como prebióticos somente os frutanos do tipo inulina, a própria inulina, o frutooligossacarídeo (FOS) e o galactooligossacarídeo, porém, várias outras substâncias preenchem várias dessas especificidades e têm sido estudadas com importantes efeitos prebióticos (PINEIRO et al, 2008; WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION, 2011)

Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro. Os probióticos são administrados isoladamente em formas de suplementos ou também em forma de culturas vivas adicionada em alimentos. Para serem definidos como probióticos, os microorganismos devem apresentar tais características específicas: efeito benéfico para o hospedeiro e promover inibição competitiva de organismos patogênicos; não apresentar toxidade e ser livre de efeitos adversos importantes; tolerância a secreções gastrointestinais (ácido gástrico e bile); capacidade de aderir à mucosa gastrointestinal; conter adequado número de células viáveis para conferir benefícios à saúde; ser compatível com a matriz do produto, com as condições de processamento e armazenamento para manter as propriedades desejadas e rotulados com precisão. Espécies dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus são os mais estudados e explorados comercialmente. Recentemente, todos resultados de efeitos no hospedeiro, assim como outras características que tornam uma bactéria probiótica vem sendo atribuída à especificidade de cada cepa, desta forma, efeitos e características atribuídas a uma cepa não podem ser extrapolados para toda a espécie (WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION, 2011; FONTANA et al, 2013).

Os simbióticos são a combinação de prebióticos com probióticos. A primeira definição de simbiótico de 1995 consiste em “misturas de probióticos e prebióticos que afetam beneficamente o hospedeiro, melhorando a sobrevivência e implantação de micróbios vivos no trato gastrointestinal, por meio do estímulo seletivo ao crescimento e/ou por ativação do metabolismo de um ou de um número limitado de bactérias promotoras da saúde, melhorando, assim, o bem-estar do hospedeiro”. Para serem considerados simbióticos, tanto os prebióticos quanto os probióticos devem ter as características citadas anteriormente (GIBSON; ROBERFROID, 1995). Há várias combinações possíveis para compor um simbiótico, cada variação em um ingrediente prebiótico e/ou em uma cepa de um probiótico pode conferir efeitos diferentes ao hospedeiro. Basicamente, existem dois tipos de simbiótico, o tipo complementar, no qual o prebiótico escolhido pode promover o crescimento e a atividade do probiótico de forma indireta, e o tipo sinérgico, em que o prebiótico escolhido deve estimular especificamente o crescimento e a atividade do probiótico selecionado (KOLIDA; GIBSON, 2011).


RECEITA – MOLHO DE IOGURTE PARA SALADAS

(Retirada de www.nutricaodiaria.com)

Ingredientes:

  • 1 pote de iogurte natural
  • Suco de 1 limão
  • 1 colher (sopa) de orégano
  • 3 colheres (sopa) de azeite
  • 1 dente de alho
  • Sal a Gosto

Modo de Preparo:

Esprema o limão e pique o alho.

Em um recipiente, misture bem todos os ingredientes.

É opcional acrescentar um pouco de água para diluir o molho.

Na receita acima, o alho é um ingrediente prebiótico, enquanto o iogurte é um ingrediente probiótico. Mas fique atento: nem todo iogurte é probiótico, deve-se consultar o rótulo, e se conter lactobacilos ou as bifidobactérias, este iogurte pode ser classificado como proibiótico. Sendo assim, tente sempre unir prebióticos e probióticos para fazer com que seu organismo funcione melhor.

Bom apetite!

 


Referências no Artigo
  1. BRANDT, K.G.; SAMPAIO, M.M.S.C.; MIUKI, C. J. Importância da microflora intestinal. Pediatria, v.28, n.2, p.117-127, 2006.
  1. GUARNER .F.; MALAGELADA, J.R. Gut flora in health and disease. Lancet, v.9356, n.361, p. 512-529, 2003.
  1. DIBAISE, J.K. et al. Gut microbiota and its possible relationship with obesity. Mayo Clinc Proceedings, v.83, n.4, p.460-469, 2008.
  1. CANI, P.D.; DELZENNE, N.M. Interplay between obesity and associated metabolic disorders: new insights into the gut microbiota. Current opinion in pharmacology, v.9, n.6, p.737-743, 2009.
  1. Bindels LB, Delzenne NM, Cani PD, Walter J. Towards a more comprehensive concept for prebiotics. Nat Rev Gastroenterol Hepatol 2015; 12(5): 303-310.
  1. DELZENNE, N. M. et al. Impact of inulin and oligofructose on gastrointestinal peptides. British Journal of Nutrition, v.93. p.S157-S161, 2005.
  1. GIBSON, G.R.; ROBERFROID, M.B. Dietary modulation of the human colonic microbiota: introducing the concept of prebiotics. The Journal of Nutrition, v. 125, n. 6, p. 1401-1412, 1995.
  1. PINEIRO, M. et al. FAO technical meeting on prebiotics. Journal of Clinical Gastroenterology, v. 42, p. 156S-159S, 2008.
  1. WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION. Global Guideline: Probiotic and prebiotics, 2011.
  1. FONTANA, L. et al. Sources, isolation, characterisation and evaluation of probiotics. British Journal of Nutrition, v. 109, p. 35-50, 2013.
  1. KOLIDA, S.; GIBSON, G.R. Synbiotics in health and disease. Annual Review of Food Science and Technology, v. 2, p. 373-393, 2011

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